Imagem de livros em uma prateleira.

Storytelling e as Competências Conversacionais

Dentro de uma empresa, quem exerce função de liderança precisa aprimorar suas competências conversacionais. Isso permite, entre outros benefícios, aumentar o engajamento dos funcionários, transmitir as mensagens em nome da corporação e promover mudanças culturais. Além disso, competências conversacionais ajudam a motivar a equipe, ser aceito, aumentar o poder de persuasão, melhorar a comunicação com clientes e com outras áreas da empresa. Como já vimos neste artigo, o storytelling pode tornar a comunicação mais efetiva através da criação de conexões emocionais, aumento da empatia e identificação. Portanto, o storytelling se apresenta como uma ferramenta na formação do líder.

Diversas empresas estão adotando essa ferramenta como recurso de liderança, gestão de pessoas e marketing. As empresas tem apostado no storytelling para formação de gestores, uma vez que já compreenderam que descrever fatos ou lançar campanhas com frases de efeito sem contexto não engajam os colaboradores. É preciso mais que isso. É preciso sentimento e conexão. Explorar o passado da empresa bem como as situações que a fizeram evoluir, alimentar valores e apresentar direcionamentos. Tudo isso envolvido em uma narrativa pode ser capaz nutrir o sentimento de pertencimento e promover engajamento.

Os 6 passos para ser um líder-storyteller e aproveitar essa ferramenta

1) Acredite na mensagem

Para tornar-se um storyteller (ou um contador de histórias) o gestor ou líder precisa, primeiramente, acreditar no que diz. Os colaboradores precisam encontrar verdade no discurso. Tanto nas empresas quanto em uma palestra, por exemplo, se o locutor nota o famoso “discurso de vendedor”, a mensagem perde credibilidade. Quando é preciso, como porta-voz da organização, transmitir mensagens com as quais você não se identifica, vale a pena tentar focar nos propósitos e possíveis motivações para que a empresa tenha tomado uma atitude ou escolhido determinado caminho. De alguma forma, tente se convencer antes de convencer os outros.

2) Entenda o assunto

Outra pergunta a se fazer é: você entende o assunto que precisa abordar? Por exemplo: sua empresa pretende instituir um novo processo de trabalho. Você, como líder, precisa comunicar sobre as mudanças. O quanto você está seguro sobre o novo processo? Já leu ou estudou algo sobre o assunto? Conversou com alguém para confirmar se o seu ponto de vista está adequado e coerente com o que a organização espera?

Veja esse cenário hipotético: uma organização deseja tornar o processo de desenvolvimento mais ágil. Para isso, a empresa aposta em uma transformação cultural visando abandonar metodologias de desenvolvimento tradicionais e utilizar metodologias ágeis. Assim, envolve os gestores, esperando que motivem seus times para que tornem-se mais multidisciplinares, engajados, auto-geridos etc. Entretanto, alguns gestores acostumados com uma forma de trabalho há muitos anos, precisam se adaptar ao novo contexto ao mesmo tempo que precisam convencer suas equipes a mudar.

Neste cenário, é provável que a fase de transição dure bastante tempo, pois os próprios líderes não sabem exatamente o que fazer. Nenhuma mudança de cultura é rápida, mas ela pode ser melhor ou pior conduzida quando os líderes entendem do assunto.

3) Trabalhe a apresentação dos dados

O processo de convencimento e engajamento possivelmente envolve realizar medições, apresentar dados e dar palestras. Nesse processo, é fundamental que, munido da capacidade de contar histórias, o storyteller apresente dados para corroborar o discurso envolvendo-os em uma narrativa, preferencialmente, utilizando histórias reais.

4) Fale sobre sucesso mas não esqueça os fracassos

O senso comum diria que não seria uma boa estratégia apresentar fracassos para promover uma ideia, mudar cultura e engajar. Seria mais fácil o comercial da margarina, pessoas felizes ao redor da mesa durante um café da manhã familiar, correto? Errado!

Não se trata de vitimização, nem focar exclusivamente nas falhas, mas é preciso ter em mente que o engajamento e a motivação geralmente advém de eventos que ocasionaram aprendizado. Dificilmente relatos de sucesso falam tão bem sobre propósito e superação quanto os relatos de falhas e fracasso. Assim, é mais fácil atribuir aos fracassos certo grau de humor, fazendo brincadeiras com a própria “desgraça”.

5) Conheça as técnicas

Ninguém precisa ser Woody Allen, Charlie Kaufman, Quentin Tarantino. O objetivo não é virar um cineasta. Entretanto, para aprender a contar uma boa história, é necessário saber o básico sobre como criar um roteiro.

Comece dividindo-o em três partes. Como qualquer história, ela deve possuir início, meio e fim.

O início

O início, ou apresentação, é o momento onde deve ser apresentado o status quo. É aqui que são introduzidos os personagens, arquétipos, o detalhamento do contexto e do universo da história.

O final

Vamos pular o meio, para falar do final.

No fim, fala-se sobre a resolução, a solução, a superação.

A parte interessante: o meio

Aí sim, o meio. Ele é o recheio. É nele que a mágica acontece. O meio é onde a história se desenvolve e se movimenta. Onde se apresenta o grande diferencial entre um relato qualquer e uma boa narrativa: o conflito. Ele pode ser representado por um competidor, um perigo, um dilema ou escolha, um problema. É a sensação de que há uma barreira para a concretização de algo, que impede o personagem de atingir um objetivo ou um desejo. O conflito é capaz de retratar a verdade humana, pois é em sua resolução que decisões são tomadas, emoções surgem e, consequentemente, a identificação e empatia com o ouvinte ou expectador acontece. O conflito pode ser interno (psicológico e físico), pessoal (relacional) ou extrapessoal (natural ou social).

6) Defina um enredo

Dessa forma, uma boa maneira de definir um roteiro, é apresentar um “plot” ou enredo, ou seja, tentar resumir sua história na tríade “personagem, desejo e conflito”. Ela vai guiar uma sequência de eventos da  história de maneira lógica, sem perder “o fio da meada”. Por exemplo: uma menina de família humilde que tinha uma linda voz e sonhava em ser cantora, até que um dia sofre um acidente que impacta sua capacidade de cantar. Isso mostra um enredo.

Não serão abordadas aqui todas as questões pertinentes a construção de um bom roteiro. Se o assunto te interessar, ao final deste artigo há algumas referências de sites e livros.

Storytelling, o conflito e a bioquímica da atenção

Como já falamos aqui no blog neste artigo, existe uma bioquímica associada com a atenção. Ela é ativada no nosso cérebro por um conjunto de neurotransmissores quando contamos histórias ou nos comunicamos de modo bem sucedido. O conflito é fortemente associado a essa bioquímica. Neurotransmissores, como a dopamina, são associados ao prazer pela resolução de conflitos. Isso promove atenção e, consequentemente, memorização.

Uma ferramenta básica

Se ainda há dúvidas sobre como encaixar seus discursos em uma narrativa, pelo menos se esforce para encaixar em uma estrutura de três partes. Tente, pelo menos, mostrar um mínimo de apresentação, conflito e resolução.

Vamos supor a seguinte situação: sua organização precisa convencer os colaboradores a utilizar um novo processo de trabalho. Comece apresentando o status quo, ou seja, o processo atual, suas características e o contexto de uso. Depois mostre os problemas associados a ele e crie algum nível de conflito. Você pode apresentar o que tem impedido sua organização de alcançar algum objetivo estratégico, por exemplo. Após isso, apresente o novo processo de trabalho sugerido pela organização, seus benefícios e como eles podem colaborar para o alcance de um objetivo estratégico.

O problema do storytelling corporativo: por que não somos convincentes

O storytelling corporativo sofre com um problema clássico que é o fato das empresas fugirem propositalmente dos conflitos. Como não soa natural apresentar falhas no processo de “vendas” ou convencimento, muitas empresas retiram o conflito do seu discurso. Entretanto, como já foi citado aqui, ele é o fator causador de emoção e persuasão. Dessa forma, acabam sendo criadas histórias que não geram emoção nos colaboradores.

Então, fica a dica. Não afastem do repertório o que mais aproxima e motiva os colaboradores.

Para complementar esse assunto, assista ao vídeo do Talks at Google com Carmine Gallo, autor do livro “The Storyteller’s Secret: From TED Speakers to Business Legends, Why Some Ideas Catch On and Others Don’t”:

Se você tiver interesse em estudar mais sobre storytelling e a arte de criar bons roteiros, sugiro o livro abaixo:

Story. Substância, Estrutura, Estilo e os Princípios da Escrita de Roteiro de Robert Mckee

Story. Substância, Estrutura, Estilo e os Princípios da Escrita de Roteiro

Autor: Robert Mckee

Algumas reportagens sobre o assunto:

https://exame.abril.com.br/negocios/dino/storytelling-a-arte-de-contar-historias-engajadoras-dino89090350131/

https://exame.abril.com.br/negocios/dino/storytelling-e-uma-habilidade-essencial-para-gerentes-afirmam-pesquisadores-shtml/

Storytelling por 10 grandes líderes: como passam a mensagem pelo ruído

O storytelling constrói líderes e motiva a mudar

Alguns sites sobre o assunto onde há conteúdo interessante:

ESCOLA DE ROTEIRO

FICÇÃO EM TÓPICOS

2 comentários em “Storytelling: uma Ferramenta para Formação do Líder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s