Homem tenta se comunicar, mas o ouvinte é uma estátua, demonstrando que não há comunicação efetiva.

 A constatação: “Nós temos um problema de comunicação”

Quantas vezes, no mundo corporativo, constata-se que um problema aconteceu por falta de comunicação? Notícias ruidosas, expectativas frustradas e por aí vai. Em parte, isso ocorre porque não fomos ensinados a escutar e também porque não nos responsabilizamos pela comunicação. Vamos ver nesse artigo como o storytelling pode auxiliar a promover uma comunicação mais efetiva.

Por que a comunicação não é efetiva?

O processo de escuta ativa é complexo. Como diz Carla Faour no livro A arte de escutar – Histórias que revelam a beleza de ouvir e ser ouvido: “há que se deixar apagar e se concentrar no outro (…) há também que se eliminar quaisquer ruídos de interferência – como pensamentos que voam, telefones que tocam, vaidades que afloram”.

Desse modo, colocar sobre o interlocutor a responsabilidade pela efetividade da comunicação é uma atitude inocente ou até mesmo, inconsequente. Precisamos saber que somos responsáveis pelo que transmitimos e por como nossa fala chega aos ouvidos do outro. Mas como plantar atenção e escuta no terreno árido dos discursos pouco interessantes, uma vez que os ouvintes não vão mudar?

As falhas de comunicação nas organizações

Nas organizações há um fator adicional que prejudica a comunicação. Quando trata-se de informar novos rumos, novos processos de trabalho ou orientações, especialmente. A resistência à mudança presente na maior parte das mentes humanas torna a escuta mais complicada.

Assim, o líder pode se perguntar: Como tornar o discurso mais atraente? Como ser escutado? Como minimizar alguns ruídos de comunicação? Como ser mais persuasivo?

Comunicar é uma questão de empatia

Um dos segredos é empatia, uma vez que comunicação efetiva diz muito mais sobre o ouvinte do que sobre o locutor. Por isso, para garantir escuta ativa, o discurso precisa conter a linguagem adequada e resgatar o conhecimento prévio necessário.

Talvez você já tenha presenciado a seguinte cena: em uma reunião com clientes e funcionários, uma pessoa começa a discursar. Para demostrar que domina um assunto, ela fala ininterruptamente, usa jargões técnicos que seus clientes não conhecem e possui uma fala acelerada. No final, a percepção dos ouvintes dificilmente é “ela é uma boa oradora e sabe o que está falando”. O tiro sai pela culatra, pois é provável que a imagem que ficou tenha sido “ela é arrogante e chata”.

Outro fator chave é respeito ao tempo. Ninguém quer ouvir o outro falar sem parar nem tem todo o tempo do mundo. Tempo é um recurso precioso, seja o do seu funcionário, seja o do seu chefe, seja o do seu cliente.

Além do tempo, existe um recurso quase incontrolável: a atenção. Infelizmente, a atenção das pessoas se perde se o seu discurso não for interessante, objetivo e envolvente.

Por sorte, há uma forte ligação entre atenção e envolvimento emocional. Discursos inspiradores e munidos de carga emocional, conseguem prender a atenção do ouvinte. É aí que o Storytelling entra.

O poder do storytelling para uma comunicação efetiva

O storytelling (ou contação de histórias) representa a ferramenta para envolver um discurso em uma narrativa, tornando-o mais atraente. Existem algumas técnicas para contar histórias mas, essencialmente, essa é uma habilidade natural. Talvez uns consigam se comunicar com mais facilidade que outros, ou tenham mais habilidade para falar em público. Entretanto, ainda que alguns possam pensar que não tem talento para a comunicação, nossa vida tem inúmeras situações onde estivemos praticando sem perceber. Contar histórias é um hábito mais antigo do que podemos imaginar.

Quando você visita um parente e senta-se à mesa para tomar um café, provavelmente contarão histórias. Quando sai com um amigo para o bar surgirão mais histórias. A questão é que existem algumas técnicas para melhorar sua narrativa.

Como o storytelling pode ajudar?

Histórias têm o poder de criar conexões emocionais. Um exemplo disso é o envolvimento que um filme ou livro promove. Mas, na verdade, é mais que isso. Há estudos que mostram evidências de que, ao assistir um filme ou ouvir uma história contada, o cérebro do locutor e do ouvinte passam por um processo de acoplamento neural. Isso consiste em ativar regiões do cérebro similares e produzir ondas em um mesmo padrão. Para que este processo ocorra, é necessário que ambos estejam entendendo a história da mesma maneira. Essa afirmativa sugere que deve existir uma preocupação sobre como o ouvinte interpreta a história baseado em seus conhecimentos prévios. A linguagem precisa ser adequada e fazer sentido para o ouvinte e para o locutor.

Você pode ver no final deste artigo a matéria original de Uri Hasson, professor da universidade de Princeton, e seu TED Talk sobre acoplamento neural.

O que a ciência diz

Os estudos sobre o cérebro envolvendo uso de imagem por ressonância magnética funcional (fMRI, do inglês Functional Magnetic Ressonance Imaging) estão aprimorando estas percepções. Entretanto, desde os tempos mais primórdios já se compreendia a história como um veículo eficaz de comunicação, memorização e atenção. Aristóteles não usava fMRI e já entendia esse poder. Já sabia-se que o storytelling era uma ferramenta para criar empatia e identificação.

Pense em quantas vezes você chorou em um filme, ou torceu para que um personagem com o qual você se identificou não morresse. Isso é empatia.

A mecânica da memorização, atenção, empatia e satisfação associadas ao storytelling tem explicação. A ciência tem comprovado a liberação de dopamina, cortisol e ocitocina, que atuam como neurotransmissores nessa dinâmica durante o processo de comunicação.

Você pode ver uma postagem do blog da Harvard Business Publishing Corporate Learning sobre esse assunto no final deste artigo.

Além disso, contar histórias nos ajuda a sintetizar. Para não perder a linha de raciocínio e conduzir o ouvinte do início ao fim, comunicar algum assunto fazendo uso de uma narrativa nos força a ser mais sintéticos.

Por último, mas não menos importante, se você pensa que não possui habilidades conversacionais ou talento para falar em público, o storytelling pode ser uma boa ferramenta. Há relatos, por exemplo, dos organizadores de TED Talks sobre como conseguiram preparar pessoas que, apesar de terem boas ideias, julgavam não ter essa competência. Entretanto, quando bem orientadas, com um roteiro adequado, bastante preparação e ensaio conseguiram fazer excelentes palestras. Desse modo, podemos considerar que a habilidade de contar histórias é mais natural do que imaginamos.

Quer saber mais?

Agora que você já sabe como o storytelling pode tornar a comunicação mais efetiva, leia sobre seu papel na liderança neste artigo.

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REFERÊNCIAS

Leia a postagem sobre a ciência por trás do storytelling publicada no blog da Harvard Business Publishing Corporate Learning AQUI

Leia a matéria sobre o estudo de Uri Hasson, professor de psicologia e neurociência da universidade de Princeton, AQUI

Ou assista seu TED Talk:

Um comentário em “Storytelling e a Comunicação Efetiva

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