Este artigo baseia-se no livro TED Talks – o guia oficial do TED para falar em público, de autoria de Chris Anderson. Através dele aprenderemos um pouco mais sobre como fazer apresentações de sucesso.

Imagem de um microfone

As palestras apresentadas nas conferências TED costumam ser inspiradoras. É possível perceber algumas similaridades e padrões entre elas, ainda que cada uma apresente particularidades e estilos distintos por conta de cada palestrante. O livro TED Talks fala sobre a estrutura das apresentações, mostra orientações e faz uma introdução sobre o storytelling (se quiser saber mais sobre storytelling veja outros artigos aqui no blog Storytelling e a Comunicação Efetiva e Storytelling: uma Ferramenta para Formação do Líder).

Primeira lição: não é um padrão

Primeiramente, o livro indica que, apesar de os fundadores dos TED Talks terem tentado aplicar um padrão, perceberam que era mais interessante prover orientações e ferramentas para que cada palestrante pudesse aplicar os conceitos à sua maneira. Desse modo, o livro sugere um conjunto de ferramentas incentivando a variedade de estilos, onde o principal é o foco em comunicar algo importante.

O livro desmistifica também a questão da falta de habilidade para se comunicar ou falar em público. Considerando que a capacidade comunicativa é uma habilidade fundamental no século XXI, não parece ser uma opção deixar de aprimorá-la. Uma forma de fazer isso, caso você não possua facilidade, é através de mentoria no assunto, assim como os organizadores dos TED Talks fazem nas conferências. Entretanto, a leitura e o estudo de técnicas podem ajudar.

O começo de uma boa apresentação

A primeira coisa a se pensar é a definição da ideia. De nada adianta um lindo formato com ideias pobres. Por isso o slogan da conferência é “ideias que merecem ser compartilhadas”. Você precisa ter algo relevante para contar.

A partir daí inicia o trabalho sobre o formato. Uma ideia interessante, apresentada corretamente e embrulhada em uma narrativa pode ter bons resultados. Este último ponto é muito relevante e é o que norteia boa parte do livro: a narrativa. O objetivo dos organizadores da conferência é ajudar os palestrantes a tornarem suas palestras memoráveis através do envolvimento do tema em uma história.

A jornada e suas ciladas

O livro apresenta o processo de palestrar como uma jornada, indicando que você precisa guiar o ouvinte ao longo do caminho para que ele não se perca. A mente do ouvinte não pode ser tratada como um balde dentro do qual você simplesmente despeja informação. Desse modo, uma boa palestra deve ser um exercício de empatia e doação, onde você precisa se preocupar com o ouvinte, seus conhecimentos prévios, a linguagem adequada etc.

Cuidados

Não seja um vendedor

Você deve evitar conduzir a palestra como um vendedor, por exemplo, tornando a sua apresentação um momento de auto-promoção.

Administre o tempo

Evite a menção à falta de tempo para abordar o assunto, por mais complexo que seja, pois o tempo do ouvinte é um bem precioso. Sendo assim, você deve se preparar adequadamente para tratar o tema no tempo estipulado.

Evite divagações

Se o tempo pode ser curto, imagine a atenção do ouvinte. Este é um recurso mais escasso ainda. É preciso trabalhar técnicas que mantenham a atenção do público, especialmente em dias como os atuais, em que a distração está ao alcance dos dedos. Por conta disso, evite divagações. Vá direto ao ponto.

Deixe o “tédio organizacional” na Organização

Tratando-se de divulgação de trabalho realizado em uma corporação, o autor chama atenção para que o palestrante não incorra em tédio organizacional. Isso implica em evitar descrever as minúcias estruturais da empresa ou da equipe, que geralmente não agregam para os ouvintes e deixam a narrativa cansativa. Em contrapartida, deve-se focar nos resultados realizados e lições aprendidas.

Preparando uma boa ideia

Você possui uma ideia, agora precisa definir uma linha mestra, ou seja, o tema que une os elementos narrativos. A linha mestra não diz respeito ao assunto e sim a como ele será conduzido. O livro apresenta um exemplo interessante, onde chamaram um palestrante para falar sobre sua aventura de caiaque. A linha mestra, por sua vez, poderia ter a ver com lições de superação nesse processo ou na convivência em grupo com outras pessoas durante a viagem.

Um exemplo real sobre isso: a autora deste blog foi convidada a palestrar em uma universidade durante um evento de mulheres na TI. Algumas palestrantes focaram em apresentar seus feitos e trabalhos de sucesso. Entretanto, o público, majoritariamente composto por estudantes mulheres, parecia querer ouvir sobre as dores da mulher no processo de ascensão profissional.

Assim, a autora focou sua linha mestra na ascensão profissional e nos percalços. Apresentou uma narrativa sobre como escolheu a carreira, “o choque” na chegada à faculdade e ao mercado de trabalho. Além disso, contou histórias sobre comentários preconceituosos que já ouviu de alguns chefes, relatou como era trabalhar em uma empresa pública e como foi a experiência de tornar-se gerente de uma equipe majoritariamente masculina e com alguns membros possuindo o dobro de sua idade.

Desse modo, foi apresentada uma linha mestra de superação que tratava a trajetória feminina no meio de TI e como é possível, com disciplina e dedicação, chegar onde quisesse. Foi um discurso bastante motivacional e a plateia ficou bastante envolvida.

A linha mestra

Voltando à linha mestra, um exercício é tentar defini-la em até 15 palavras. Pensar em quem é o público alvo e o que ele está interessado em ouvir também pode ajudar. Porém, mais importante ainda, deve-se pensar na quantidade de assunto que se pretende abordar. É melhor reduzir e ser sucinto. Aproveitar o tempo e abordar pouco assunto em profundidade é melhor do que abordar muitos assuntos superficialmente.

A duração da apresentação

Nas palestras TED o palestrante tem 18 minutos para falar. No livro menciona-se que é um intervalo de tempo suficiente para expor uma ideia sem ser demasiadamente detalhista. Ao mesmo tempo, é um tempo adequado para manter a atenção do ouvinte.

Independente se você tem 18 ou 40 minutos, é adequado que você seja sucinto. Um erro muito comum entre os palestrantes é abarrotar uma apresentação de assuntos, tornando os slides horrorosos, as falas corridas e os assuntos subexpostos.

Uma estrutura simples para uma palestra pode apresentar cinco tópicos, sendo eles: introdução, contexto, conceitos principais, implicações práticas e conclusões.

Algumas dicas para uma apresentação mais agradável

É possível parecer mais próximo da plateia se o palestrante puder se mostrar mais humano, sendo pessoal, apresentando histórias reais (de preferência em que esteve envolvido), além de demonstrar algum nível de vulnerabilidade.

O contato visual com a plateia também possibilita estreitar os laços. Se possível e for natural, incluir um tom humorístico. Se não for natural, melhor não forçar. Sobre o humor, obviamente não estamos citando piadas de mal gosto ou que envolvam qualquer tipo de tópico como religião, política, linguagem ofensiva etc.

Casos pessoais de fracasso ou constrangimento são excelentes para “quebrar o gelo”, pois eles envolvem alguma história que humaniza o palestrante, além de possuírem bons ganchos para uma apresentação com toque de humor.

Como fazer uma apresentação de sucesso abordando um assunto polêmico ou complexo?

Assuntos polêmicos, que envolvem questões morais, por exemplo, devem ser transformados em curiosidades e soluções. É importante evitar falar sobre como estas questões são ruins, mas tentar focar em possíveis ideias para contorná-las.

No caso de conceitos muito complexos é preciso apresentar algum contexto para igualar o entendimento do público. Talvez, apresentar alguns conceitos essenciais sem entrar muito em detalhes. O uso de recursos linguísticos como metáforas podem favorecer o processo de compreensão. Outro recurso interessante é explicar o que a ideia não é, ao invés de tentar explicar somente o que ela é.

Recursos como a lógica também são interessantes para guiar o público no caminho do entendimento comum. Por exemplo, utilizando exemplos de causalidade, com estrutura se/então.

Os slides

Os slides devem ter recursos visuais para prender a atenção do público, correto? Errado!

A carga cognitiva para prestar atenção no palestrante é uma. Essa carga aumenta quando a platéia precisa ouvir o discurso e prestar atenção em recursos visuais. Desse modo, se eles não complementam a fala ou não são relevantes, não use. Não há melhor recurso do que a própria voz. Fuja da repetição do texto que o palestrante está falando. O remédio para isso é treinar sua apresentação adequadamente, para não ter que usar os slides como uma muleta.

Você provavelmente já viveu a situação de tentar sincronizar a atenção entre o que o palestrante estava dizendo e um slide com dezenas de textos em tópicos, com suas respectivas imagens. O efeito disso é o contrário do que o palestrante gostaria de provocar, ou seja, a atenção da plateia se desfaz.

Formato

O livro apresenta algumas dicas sobre formato:

  • Fontes sem serifa (como Arial ou Helvetica)
  • Tamanho em torno de 24, não menor que isso, caso contrário a plateia não vai enxergar
  • Utilize até 3 tamanhos distintos: grande para título, médio para ideias principais, menor para ideias secundárias
  • Garanta legibilidade através de cor e contraste (nada de letras amarelas em fundo branco, por favor)
  • Imagens devem ser visíveis, por exemplo, gráficos e dados só servirão se puderem ser visualizados
  • Não apresente tópicos com bullets
  • Para destaque use negrito e evite o itálico, pois é mais difícil de visualizar a diferença do restante do texto

A preparação da palestra: roteiro versus improviso

Algumas pessoas preferem roteirizar suas palestras, memorizando suas falas, momentos de pausa, entonação. Outras pessoas preferem dar espaço para o improviso. Em ambos os casos, é preciso preparação e ensaio. Não é porque uma palestra não segue um roteiro e falas pré-definidas que ela não precisa ser preparada.

Recomenda-se também a preparação da palestra para 90% do tempo estipulado. Dessa maneira, é viável ter liberdade para ousar e improvisar sem preocupação, além de ter tempo para caso algo saia do controle, como em alguma falha técnica.

Se o palestrante prefere improvisar, uma sugestão indicada é tentar roteirizar pelo menos a abertura e o encerramento da palestra. Em geral, o palestrante possui um minuto para captar a atenção do público. Assim, este primeiro minuto precisa despertar a curiosidade e precisa ser bem definido.

Da mesma maneira, o encerramento pode fazer a apresentação encerrar com um tom memorável. Uma opção é encerrar dando uma visão geral da palestra. Também é possível chamar o ouvinte para agir em alguma causa, assumir compromissos pessoais enquanto um líder ou figura importante no assunto, mostrar uma visão esperançosa e motivacional etc.

Na dúvida, não enrole demais. Um parágrafo final de resumo e terminar com um “obrigado” é suficiente.

A palestra e a narrativa

Por último, o livro apresenta algo que nos faz pensar: o quanto a dimensão humana da palestra transforma uma simples informação em inspiração. Desse modo, podemos apostar neste formato para inspirar e motivar mais pessoas, fazendo com que nossas ideias sejam transmitidas de forma mais clara, coesa e interessante.

REFERÊNCIA:

Livro TED Talks - o guia oficial do ted para falar em público

TED Talks – O guia oficial do TED para falar em público

Autor: Chris Anderson

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